Reabertura facilitaria acesso dos que podem desenvolver compulsão
Quem já foi a um bingo deve-se lembrar do ambiente agradável, climatizado e sem uma frestinha sequer que deixe entrar a luz do sol.
“As casas de bingo usam uma receita infalível para criar dependência”, diz o psiquiatra Hermano Tavares, que é professor da faculdade de Medicina da USP.
Essa fórmula combina um jogo de azar, em que novas rodadas se sucedem rapidamente, com um ambiente fechado, onde a luz do sol nunca entra. O ritmo das apostas não deixa tempo para que o jogador calcule o quanto já perdeu.
Quando se trata de máquinas, a perda leva o compulsivo apostar ainda mais.
“Quando a pessoas perde, precisa jogar novamente para que as sensações de prazer retornem”, diz a psicóloga do Ambulatório do Jogo Patológico e outros Transtornos, do Hospital das Clínicas.
O jogo é para o compulsivo como uma droga para o dependente químico.
Como técnica no assunto, Danielle diz que a reabertura das casas de bingos ampliariam o acesso ao jogo aos 2% que têm tendência a desenvolver a patologia.
Mesmo que se vete a entrada de quem é compulsivo, a doença poderá se desenvolver naqueles que ainda não sabem que a têm.
“Independentemente da questão política, existe impacto social que não dá para ignorar e que vai precisar de medidas para ser resolvido."
Dos cerca de 800 pacientes que procuraram ajuda especializada, apenas três tinham outros transtornos que não a compulsão pelo jogo.
A medicina ainda não fala em cura. Há pesquisas em torno de novas drogas, mas nada conclusivo.
A proposta de tratamento é de total abstinência.
“Até hoje, nenhum compulsivo foi capaz de voltar a jogar de maneira moderada.”
Nos três primeiros meses do ano, a polícia apreendeu 62 máquinas em Rio Preto. Em 2009, foram 543.
Fonte: Agência BOM DIA
Reportagem: Nany Fadil
Abraços,
Tamara Lima
